A arquitetura da cidade segue o estilo
barroco, colonial, com prédios datados
dos séculos XVII, XVIII e XIX,
emoldurada por uma linda paisagem: o rio
Paraguaçu, o vale onde se encrava a
Cidade e sua zona rural, com regiões
montanhosas e belos vales compõem o
cartão postal que é a
Cidade de São Félix, denominada Cidade
Presépio
por sua singular conformidade, cujas
moradias se instalam do vale para a
montanha, dando-nos a nítida sensação de
estarmos diante de um verdadeiro
presépio.
Data do período da chegada dos
portugueses ao Brasil, em 1500, os
primeiros contatos com os habitantes do
país, os diferentes povos indígenas,
aqui existentes. Quando aqui chegaram
nas atuais terras sanfelixtas, eram os
indígenas da Nação Tupinambá que
habitavam às margens férteis do rio
Paraguaçu. Em 1502, membros da
expedição de Américo Vespúcio
percorreram toda a costa da baía de
Todos os Santos, entrando no grande rio
que deságua naquela baía, passando pela
Barra do Paraguaçu, estiveram em São
Roque e navegaram rio acima. No ano
seguinte, foi enviada expedição, que
encontrou vários navios franceses
carregados de madeira extraída das matas
às margens do rio Paraguaçu, para serem
levados à Europa. Um ano depois, os
franceses apoderaram-se da ilha hoje
denominada, dos franceses, internando-se
com mais freqüência naquelas matas. Em
1510, chegaram às terras próximas à
Maragojipe e subiram mais o rio chegando
ao local onde foi a usina e engenho
Vitória, aportando logicamente entre
este ano e o ano seguinte 1511, às
terras onde estão hoje as cidades de
Cachoeira e São Félix.
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Embarcação a vapor onde era
transportados
passageiros entre São Félix e
Cachoeira. |
A Cidade de São Félix, no entanto, tem
sua origem no aldeamento dos índios
Tupinambás. Em 1534, esse aldeamento
tinha cerca de 20 palhoças habitadas por
mais ou menos duas centenas de índios.
Com a chegada dos portugueses para
explorar a terra e o comércio de
madeira, tentaram escravizar os índios,
forçá-los ao trabalho, iniciando a
plantação de cana-de-açúcar, montagem de
engenhos de açúcar e alambiques;
entretanto a lavoura só prosperou com a
chegada de escravos negros vindos da
África, a partir de 1549, cuja entrada
em terras sanfelixtas, só deu-se em
1615.
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Praça Ignácio Tosta, antiga
Praça do Progresso.
Palco do Movimento Federalista
Popular. |
Os portugueses que se estabeleceram às
margens do Paraguaçu formaram núcleos em
Belém no alto do Porto da Cachoeira e em
São Pedro Velho, no alto de São Félix.
Marcaram presença os jesuítas que
fundaram em Belém, distrito da
Cachoeira, um colégio e um seminário ao
lado da Igreja, existentes até hoje. Em
São Félix, no lado oposto no alto de uma
ladeira acerca de um quilômetro do
porto, existiu também uma Igreja e uma
Casa de Misericórdia, onde eram
atendidos os doentes, daí, certamente, o
nome do acesso àquele local, Ladeira da
Misericórdia.
Em 1624, a Bahia foi ocupada pelos
holandeses, o Recôncavo foi saqueado e
São Félix não escapou à tirania dos
homens de Johan Van Dorth, que aqui
cometeram os maiores crimes: saqueando
lares e templos. A Igreja de São Pedro
Velho e a Casa de Misericórdia no alto
de São Félix, foram destroçadas e
roubadas em todas as suas alfaias. Os
portugueses, e os jesuítas certamente
desgostosos e atemorizados, foram
abandonando aquele local, onde as ruínas
de uma Igreja e Casa de Misericórdia
marcaram até pouco tempo, a presença dos
descobridores e colonizadores.
Em 1822, durante as lutas pela
Independência da Bahia, São Félix
prestou relevantes serviços lutando ao
lado de Cachoeira, à qual era vinculada
administrativamente, e nesta luta o
sangue sanfelista banhou o solo em
defesa do Brasil. Naquele lendário mês
de junho, São Félix também
transformou-se numa praça de guerra,
entrou em luta em prol de uma causa
comum. Daqui primeiramente partiram as
canoas cheias de sanfelistas denodados,
atirando contra os déspotas lusitanos.
Muitas embarcações foram estraçalhadas
pela fuzilaria incessante da escuna
portuguesa, tendo jazido muitos
sanfelistas nas águas do Paraguaçu.
Acossados pelo fogo impetuoso, os
portugueses enfraqueceram depois de
decorridos quatro dias sangrentos,
renderam-se confirmando a vitória
patriótica!
Muitos sanfelistas participaram na
vanguarda do batalhão dos Periquitos,
sob o comando de José Antonio da Silva
Castro. São Félix, como todo o vale do
Paraguaçu e terras bem distantes,
inicialmente pertencia aos domínios de
Cachoeira. Toda a região era, em
assuntos religiosos, sufragânea da
Freguesia de Nossa Senhora do Rosário do
Porto da Cachoeira, criada no fim do
século XVII e, administrativamente,
subordinada à vila do mesmo nome e da
mesma época, implantada a 29 de janeiro
de 1698. Só bem mais tarde, já no século
XIX, a área do atual município de São
Félix passou a integrar outra jurisdição
eclesiástica, fazendo parte da freguesia
de Nossa Senhora do Desterro de Outeiro
Redondo, isto por força da lei
provincial datada de 1.º de junho de
1830.
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Paço Municipal, erguida pelo
primeiro
prefeito da cidade,
Geraldo Dannemann. |
A História de São Félix é cheia de
bravura e heroísmo. Um fato marcante é o
Movimento Federalista Popular. Embora D.
Pedro I tivesse abdicado e se retirado
para a Europa, o governo Regencial não
propiciou a menor mudança ao regime
político estabelecido com a Carta
Constitucional de 1824. Acreditava-se
que a solução seria o Federalismo, pela
crença de que esse sistema daria às
províncias maior autonomia
administrativa que tanto lhes era negada
pelo poder da corte do Rio de Janeiro.
Era um federalismo que não era contra a
forma monárquica. Esta aspiração
política de quase todas as províncias
eclodiu em 1832 na Bahia, com o primeiro
levante liderado pelo Juiz de Paz,
Bernardo Guanaes Mineiro, em São Félix.
Esta revolução teve início no dia 17 de
fevereiro de 1832, quando Guanaes
Mineiro à frente de numerosos patriotas,
reuniu-se na Praça do Progresso, hoje
Ignácio Tosta, em São Félix, onde
recebeu inúmeras adesões e foi saudada
pelo Dr. Aprígio José de Souza. No dia
19, a legião atravessa o rio Paraguaçu,
toma de assalto o Convento do Carmo,
estabelecendo-se assim em Cachoeira.
Reuniu-se então, a Câmara Municipal
daquela Vila e proclamou-se a Federação
da Província da Bahia, constituindo-se
um governo provisório. Resistiram às
forças do governo, porém face ao enorme
poderio foram enfim dominados e presos.
Guanaes e outros seguiram presos para o
Forte São Marcelo, onde tempos depois
tornariam a proclamar a República
Federalista. Existe um volumoso processo
instaurado em Cachoeira, que contém todo
o programa de Guanaes. Encontra-se sob a
guarda do Instituto Histórico da Bahia,
por iniciativa do estudioso homem de
letras, o ilustre cachoeirano Augusto de
Azevedo Luz.
São Félix já era um povoado próspero com
casas sobradadas e o comércio já
desenvolvido com recursos para se
manter. Na verdade, a qualificação de
povoado era àquela altura uma ficção
burocrática, e a 15 de dezembro de 1857,
por ato assinado pelo presidente da
província, João Lins Vieira Cansanção de
Sinimbu, criava-se a freguesia de Senhor
Deus Menino e São Félix. Em termos de
administração civil, porém, o povoado
permaneceria. Em 1860, foram iniciados
os primeiros calçamentos, de acordo com
a resolução da Câmara de Cachoeira. São
Félix,viveria tempos de grande
desenvolvimento. Município criado com os
territórios das freguesias de São Félix
(atual sede), São Pedro do Monte de
Muritiba, Nossa Senhora do Desterro do
Outeiro Redondo, Nossa Senhora do Bom
Sucesso de Cruz das Almas, São Pedro do
Aporá e de Nossa Senhora da Conceição do
Sapé, desmembrados do município de
Cachoeira, pelo Ato Estadual de
23.12.1889. A sede foi elevada à
categoria de cidade através do Ato
Estadual de 25.10.1890, com a
denominação de São Félix do Paraguaçu,
topônimo que se estendeu para o
município, simplificado novamente para
São Félix, por Decreto Estadual de
08.07.1931.
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